quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Futebol com História (II)





Espanha, 1936-1939. Uma sangrenta guerra civil opôs o governo republicano aos rebeldes nacionalistas, liderados pelo general Francisco Franco. Este era apoiado pela Itália Fascista e pela Alemanha Nazi, países que enviaram homens e material de guerra para combater ao lado da Falange espanhola. E também pelo Portugal de Salazar, que enviou um contingente de voluntários - os Viriatos. Do lado republicano, cujo governo era composto por uma coligação de partidos de esquerda, os apoios não eram tão fortes. Excepto por parte da União Soviética, que enviou material de guerra e conselheiros militares. Os países democráticos, como a França ou o Reino Unido, ficaram-se por uma neutralidade formal, embora muitos voluntários anti-fascistas tenham ido combater para Espanha, integrados nas Brigadas Internacionais ou em outras unidades. Entre esses combatentes estrangeiros figuraram, por exemplo, os escritores Ernest Hemingway (americano) e George Orwell (inglês).

A vitória, nesse conflito que serviu de antecâmara da 2ª Guerra Mundial, pertenceu aos nacionalistas. Francisco Franco instaurou uma ditadura que só terminou após a morte do generalíssimo em 1975.

O vídeo que aqui trago foi concebido pelo Club Atlético de Madrid para comemorar o seu centenário (em 2003) e é uma original forma de conjugar uma visita ao passado histórico (mesmo o mais sombrio, como o de uma guerra civil) com a paixão futebolística: o desporto favorito nos anos 30 sobrepondo-se ao ódio ideológico entre republicanos e nacionalistas. O soldado republicano, de lenço vermelho ao pescoço, cumprimenta de punho erguido gritando "Ahupa Athletic!"; o prisioneiro nacionalista faz a saudação fascista, de braço estendido, gritando o mesmo incitamento clubista!...
É raro ver peças de publicidade com tanta inteligência.



Curiosidade extra nº 1: o Athletic Club de Madrid (nome original, fundado em 1903 como filial do Athletic Bilbao) foi designado como Club Atlético de Aviación entre 1941 e 1946, pois o nacionalismo exagerado do regime franquista quis extirpar todos os estrangeirismos da língua castelhana. Assim, até "football" passou a "balonpié" - nome que ainda faz parte, por exemplo, da designação oficial do Bétis de Sevilha. Em Portugal também houve esta moda passageira - "pedibola" em vez de "futebol". Mas o bom senso acabou por se impor.


Curiosidade extra nº 2: Os fãs do futebol sabem que o equipamento tradicional do Atlético Madrid é vermelho e branco, com calção azul. Bom, nem sempre foi assim. Tanto o Athletic Bilbao como o Atlético Madrid compravam os seus equipamentos em Inglaterra e era o Blackburn Rovers que os fornecia. Camisola bipartida azul e branca e calção azul, era esse o equipamento dos dois clubes, semelhante ao do Blackburn. O problema surgiu em 1911, quando o dirigente que comprava os equipamentos para o clube de Bilbau e para a sua filial de Madrid não conseguiu ver a sua encomenda satisfeita a tempo junto do Blackburn. Com a época a começar, havia que encontrar uma alternativa rapidamente. Recorreu ao Southampton F. C., que equipava de camisola listada de vermelho e branco e calção negro. E assim passaram a vestir, até hoje, os dois clubes, com a pequena diferença de que o Atlético Madrid manteve o calção azul do anterior equipamento.

1 comentário:

Telemaquia-org. disse...

Este vídeo está espectacular.