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domingo, 25 de outubro de 2009

A artilharia portuguesa de meados do século XV a meados do século XVI

Um interessante documentário sobre a artilharia no período da Expansão Portuguesa, produzido pela Comissão Nacional para a Comemoração dos Descobrimentos Portugueses.

domingo, 16 de novembro de 2008

A barca e o barinel, esses esquecidos dos Descobrimentos



"Que navio associa à época dos Descobrimentos Portugueses?" - a esta pergunta, muitas pessoas responderiam de imediato "a caravela". E a verdade é que este tipo de embarcação, surgido durante a década de 40 do século XV, foi muito importante para as viagens que se realizaram por iniciativa do Infante D. Henrique ou, após a sua morte, por Fernão Gomes, rico mercador de Lisboa, e mais tarde por iniciativa do Príncipe Perfeito, o futuro Rei D. João II. Navio muito rápido para a época, fácil de manobrar, com um calado que permitia navegar em águas pouco profundas, a caravela estava equipada com velas triangulares - também conhecidas por velas latinas - que permitiam bolinar, ou seja, navegar com ventos contrários à rota desejada.

Mas quando a caravela surgiu, já os portugueses haviam dobrado o cabo Bojador, essa "barreira" do fim do mundo das lendas medievais. Gil Eanes derrubou esses mitos em 1434, contrariando ventos, correntes fortíssimas e os perigos de uma navegação costeira ainda sem mapas para orientação (era nessas viagens que se tiravam notas e faziam esboços para, no futuro, outros irem mais precavidos de tabelas e mapas, ainda que não menos receosos)... e fê-lo sem caravela!

Os feitos notáveis dos primeiros navegadores que ousaram enfrentar os perigos do Oceano Atlântico tiveram como veículo embarcações ainda mais frágeis e tecnicamente menos desenvolvidas que a caravela. Foi em barcas que se redescobriu o arquipélago da Madeira e se atingiram as ilhas dos Açores. Foi em barcas e barinéis que os primeiros colonos se deslocaram para os seus definitivos lares insulares. Foi a barca que permitiu a Gil Eanes, após doze anos de tentativas frustradas, ultrapassar o Bojador.

Como eram esses navios?

A barca comportava uma tripulação de 20 homens e podia ter velas quadrangulares ou latinas. Estava já equipada com leme central à ré (ou seja, na traseira do navio).

O barinel era um pouco maior que a barca e podia ter uma tripulação de 30 homens. Havia barinéis com um, dois e até três mastros. Tal como a barca, estava equipado com cesto de gávea, onde um marinheiro de visão aguda procurava, do alto, vestígios de terra firme no horizonte. A parte dianteira do navio era mais elevada - o castelo de proa. Estas características foram desenvolvidas e incorporadas na caravela, que substituiu a barca e o barinel nas viagens de exploração da costa africana a partir da década de 40 do século XV.

Não há imagens conhecidas de barinéis. As que aqui se reproduzem são reconstituições de barcas. Para saber um pouco mais sobre barcas e barinéis, sugiro a visita a este endereço (Instituto Camões):
http://www.instituto-camoes.pt/cvc/navegaport/c04.html

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

João Caboto (ou John Cabot, ou Zuan Chabotto)






Este navegador de origem italiana foi contemporâneo de Vasco da Gama e de Cristóvão Colombo. O seu nome verdadeiro era Zuan Chabotto e terá nascido em Génova por volta de 1450. Em 1461 a sua família fixou-se em Veneza. Na década de 80 do século XV, João Caboto dedicou-se às viagens de comércio no Mediterrâneo Oriental - o tráfico de especiarias entre venezianos e turcos otomanos, que estes traziam através da Rota do Levante. Em 1489, porém, Caboto abriu falência e fugiu de Veneza.

Em 1492 estava em Valência onde - graças aos seus conhecimentos de arquitectura - dirigia as obras de melhoramento do porto daquela cidade. Em 1494 orientava a construção de pontes em Sevilha, mas foi despedido daquela função e rumou a Lisboa. Aqui tentou obter financiamento para uma viagem através do Atlântico, propondo chegar à China e ao Japão através de uma passagem que acreditava existir a norte do continente americano. Tal como acontecera anos antes com Cristóvão Colombo, D. João II não lhe concedeu qualquer crédito.

João Caboto dirige-se então para Inglaterra. Aqui trava amizade com Giovanni de Carbonaris, o enviado do Papa para a cobrança de impostos eclesiásticos em Inglaterra. Graças à influência de de Carbonaris na corte inglesa, Caboto obtém do rei Henrique VII a autorização necessária para a ambicionada viagem de exploração. Parte de Bristol em 20 de Maio de 1497, na companhia do seu filho Sebastião, num modesto navio equipado à sua custa, o Matthews, rumo ao norte do continente americano.

Após seis semanas no mar, descobre a actual Terra Nova. Aí iça a bandeira inglesa. Depois de explorar cerca de 650 Km de costa, regressa a Inglaterra, onde chega a 6 de Agosto. Em 1498 volta a partir para a Terra Nova com uma expedição de cinco navios. No entanto, uma violenta tempestade separa a frota. É provável que uns se tenham dirigido para norte da Terra Nova e outros rumado ao mar das Caraíbas. Certo é que só um navio regressa, o de Sebastião Caboto. O seu pai é dado como desaparecido - provavelmente morto. Durante séculos foi assim que a história de João Caboto terminou.

Contudo, investigações mais recentes permitem concluir que o navegador ainda regressou a Inglaterra em 1500, morrendo cerca de três meses depois da sua chegada. Quanto a Sebastião Caboto, continuou o projecto do pai, fazendo várias viagens ao norte do continente americano, entre 1502 e 1509, sempre na esperança de descobrir a "tal" passagem pelo noroeste - e sempre financiado pela Inglaterra. Não a encontrou, mas pôde confirmar que a América era mesmo um continente - e não uma ilha, como inicialmente pensara Cristóvão Colombo.

Bibliografia:
DERAIME, Sylvie, e outros - As Grandes Explorações, Lisboa, Fleurus, 2005.
KEYS, David, "John Cabot", in BBC History Magazine, vol. 9, n. 1, January 2008, p. 10.
Imagens: "John Cabot", pormenor de uma pintura de 1906; e mapa actual da Terra Nova.