quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Ainda o calendário dos Romanos


Em Setembro foi feita uma breve referência ao calendário romano. Retomemos a visita a esse tempo, em que o tempo se media de maneira diferente.
Quando Janeiro e Fevereiro foram acrescentados ao calendário, o ano passou a ter 355 dias (sim, 3-5-5, não é engano). Os meses tinham 29 ou 31 dias - mas Fevereiro só tinha direito a 28. A designação dos meses era a seguinte:


Januarius (29 dias)
Februarius (28)
Marcius (31)
Aprilis (29)
Maius (31)
Junius (29)
Quintilis (31)
Sextilis (29)
September (29)
October (31)
November (29)
December (29)


Para que o ano civil coincidisse com o ano solar, havia um período intercalar (o Intercalis) de 22 ou 23 dias, que era introduzido a partir de 23 ou 24 de Fevereiro.

Confusos? Lá dizia o Obélix: "estes Romanos são loucos!"


Após o assassinato de Júlio César, o Senado mudou o nome de Quintilis para Julius - o nosso Julho, em honra do defunto. Mas por essa altura o calendário já tinha sido modificado pelo próprio Júlio César, para que ficasse a coincidir com as estações do ano sem necessidade de um Intercalis: foi a origem do famoso calendário juliano, que o Professor Carlos Fiolhais refere no seu interessante artigo (vejam o post abaixo deste). Alguns meses ganharam dias (adivinhem quais os meses... se não conseguirem, observem um calendário actual e ficarão esclarecidos) e o total de dias por ano passou a ser de 365. De quatro em quatro anos, o mês de Fevereiro ganhava um dia, para acertar as quase seis horas que existem para além dos 365 dias num ano "normal". Deste modo, foi o velho Júlio que inventou o ano bissexto. Bem, na verdade foram alguns sábios e astrónomos do seu tempo, mas quem mandava era ele, e assim ficou com a fama toda. Júlio César, como ditador (não esquecer que ele nunca se assumiu como Imperador), era também o Sumo Pontífice (Pontifex Maximus), o chefe supremo do culto religioso, por isso tinha autoridade para mudar o calendário.


Os Romanos não tinham qualquer designação especial para os dias da semana, mas a cada oito dias havia um dia um dia de mercado, o nunidinum. Esta palavra significa "nono dia", porque a forma de contar dos Romanos era inclusiva (o que nos traz à lembrança, de novo, o desabafo do Obélix). No início de cada ano, os augures (sacerdotes adivinhos) determinavam quais os dias que iriam ser favoráveis (Fasti), azarentos (Nefasti) ou "assim-assim" (Endotercisus). Claro que todos os assuntos pessoais ou sociais importantes não podiam ocorrer num dia azarento!


Ao longo do ano, os Romanos tinham muitos dias festivos, a que chamavam "Feriae" - um nome que nos é familiar...


O mês principiava nas Kalendas, e é desta palavra que vem o nome Calendário. O Nones, ou nono, calhava nove dias antes do Ides (em português, "idos"). O Ides calhava no 15º dia de um mês com 31 dias, ou no 13º dia de um mês mais curto. Deste modo, o Nones podia calhar no 5º ou no 7º dia de um mês. As datas eram designadas pelo número de dias que antecediam as Kalendas, Nones ou Ides.


O dia dividia-se em 12 horas de dia e 12 horas de noite. Dependendo da estação do ano, uma hora podia variar entre 44 e 76 minutos. As horas designavam-se sequencialmente: prima, secunda, tertia, quarta, quinta, sexta, septima, octava, nona, decima, undecima, duodecima. A hora septima começava sempre ao meio-dia ou à meia-noite.


Agradecimentos: Richard Jeffrey-Cook.

Foto JorgeF: Legionários Romanos (reconstituição do grupo Ermine Street Guard, Inglaterra, 2007).


1 comentário:

Pedro Gomes disse...

Afinal já sei donde herdamos a complexidade tão lusa.