quarta-feira, 19 de março de 2008

A origem do termo "OK"


Uma expressão utilizada universalmente para referir que "está tudo bem" é constituída por duas letras: OK. Tornou-se comum a partir dos meados do século XIX nos Estados Unidos da América, mas a sua origem é incerta. Segundo os dicionários Oxford (publicados pela Oxford University Press), há quem reclame raízes escocesas, gregas, francesas ou até ameríndias (da nação norte-americana Choctaw) para OK.


Uma história curiosa sobre a expressão OK refere que terá surgido a partir do slogan presidencial do candidato Democrata (e Presidente em exercício, em busca de novo mandato) às eleições americanas de 1840, de seu nome Martin Van Buren. Era conhecido por "'Old Kinderhook" - nome da terra onde nascera, no Estado de Nova Iorque. Os seus apoiantes formaram o "OK Club", mas não conseguiram que Van Buren fosse reeleito Presidente. Perdeu para William Henry Harrison, que no entanto teve pouco tempo para saborear a vitória, pois morreu um mês depois de ser eleito.


Uma das mais plausíveis origens, no entanto, relaciona-se com a Guerra Civil Americana (1861-1865), que opôs os Estados do Norte (mais industrializados) aos Estados do Sul (cuja economia era basicamente rural e assente em mão-de-obra escrava) que saíram da União, formando os Estados Confederados da América. Cada batalhão de infantaria do Exército Federal (nortista) tinha de reportar regularmente ao comando do respectivo regimento o número de baixas que contabilizava em determinado momento: quantos mortos ou incapacitados por ferimento ou doença. Começava a lista com o número de mortos (killed), assim expresso deste modo, por exemplo: 5k (five killed, ou seja, cinco mortos). Quando um batalhão não tinha sofrido baixas, reportava 0k (zero killed). Mas depressa se tornou vulgar informar coloquialmente o comandante do regimento que um determinado batalhão estava OK, trocando o zero pela letra O - ou seja, que a unidade militar não tinha sofrido perdas e estava operacional.


Esta é uma das possíveis origens do termo OK, segundo um artigo da revista BBC History.
A imagem alusiva à Guerra Civil Americana foi retirada do site Soldier Studies: http://www.soldierstudies.org/index.php?action=webquest_2

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

1 de Fevereiro de 1908 - O Regicídio


No dia 1 de Fevereiro de 1908, passava já das 17.00 horas, o landau (carruagem aberta, puxada por cavalos) que transportava a família real percorria o Terreiro do Paço - quero dizer, a Praça do Comércio, pois foi assim que o Marquês de Pombal rebaptizou esse espaço amplo virado ao Tejo, após a reconstrução imposta pelo Terramoto de 1755. O povo é que continua a teimar no antigo nome, passados 250 anos. Mas não nos dispersemos, voltemos à história.


Era precisamente o povo que ladeava o caminho tragado devagar pelo landau. Suficientemente devagar para que, já quase a virar para a rua do Arsenal, irrompesse de entre os curiosos um barbudo professor primário, ex-sargento de cavalaria. Exímio atirador - como de resto o era o seu alvo, o rei D. Carlos. Uma carabina novíssima, um ódio incontido. Pelo rei, pelo ditador João Franco que ele nomeara, por um sistema político que apodrecia com Portugal. Tempo para colocar o joelho em terra, apontar com precisão militar. O monarca tomba, mortalmente atingido por Manuel Buíça. Confusão, pânico, os espectadores viram turba. Outro indivíduo, a mesma indignação regicida e suicida. Alfredo Luís da Costa, também republicano, também intransigente, salta para o estribo do carro hipomóvel, desfere mais dois tiros em D. Carlos com uma Browning automática. À queima-roupa. Mas há resistência. D. Amélia, a rainha já viúva, tenta afastar o agressor, bate-lhe com um ramo de flores. Mais tiros. Quantos executores havia entre a multidão espavorida? D. Luís Filipe, segundo se crê, fere com a sua pistola o Costa, mas também é por ele atingido. Logo depois, a mortífera carabina do Buíça ceifa-o. D. Manuel, também tocado por uma bala, mas sem gravidade, ainda acode ao irmão, tenta estancar o sangue da horrível ferida na face. Em vão. A escolta a cavalo, os polícias, os soldados acodem. Há confusão. O cocheiro, ferido numa mão, faz correr os cavalos. Um inocente é morto. Julgá-lo-ão regicida, mas mais tarde - muito tarde - o engano será confirmado. Buíça e Costa são executados no local. Se havia outros republicanos prontos a imolarem-se por uma crença, esses conseguiram escapar.

O drama ainda hoje divide opiniões. O historiador deve analisá-lo longe das paixões políticas e ideológicas, com frieza. Houve vidas ceifadas, ódios despejados. O acontecimento pode ter acelerado o caminho para o fim da monarquia, mas como Fernand Braudel nos ensinou, há desenvolvimentos mais lentos, que a fúria dos homens e o seu afã revolucionário ou reformista não podem controlar nem moldar de imediato. A crise económica, o mal-estar social, as esperanças frustradas continuariam. Sob a bandeira azul e branca, tanto como sob a verde-rubra da República.
Foto: Landau do Regicídio - Paço de Vila Viçosa.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

31 de Janeiro de 1891









Foi a primeira tentativa de implantar o regime republicano em Portugal. Aconteceu no Porto, estava a humilhação do Ultimato britânico - ocorrida um ano antes - ainda bem fresca. O nacionalismo exacerbado dos portugueses de então fora aproveitado pela oposição republicana, mobilizando ruidosos protestos contra a Inglaterra, essa velha aliada que se revelara, afinal, pérfida e traiçoeira. Mas também havia remoques contra os partidos monárquicos (o partido Regenerador e o partido Progressista), que caminhavam para o esgotamento do rotativismo do poder, continuando o país a afundar-se na crise económica. E muito descontentamento, enfim, contra o rei D. Carlos, entronado em Dezembro de 1889, um mês antes da "vergonhosa cedência" perante o Ultimato. Começava mal o reinado do penúltimo monarca de Portugal.

Mas faltava, também, unidade ao Partido Republicano Português (PRP), dividido entre moderados e radicais. Fazia muito barulho, cavalgara a onda de indignação de 1890, mas a base social de apoio era, ainda, reduzida: essencialmente de classe média e urbana, uma minoria num país de 80% de analfabetos e quase a mesma percentagem de população rural.

O "31 de Janeiro" foi o produto de um certo aventureirismo republicano radical. Instigado por jornalistas e advogados ligados à Maçonaria, o golpe foi levado a cabo por soldados, sargentos e uns poucos oficiais do Regimento de Infantaria 10, mas não conseguiu mobilizar a maior parte da oficialidade e da própria população civil. Começou às 4 horas da madrugada. Pelas 10.30 da manhã estava tudo terminado, após um tiroteio cerrado sobre o edifício dos Paços do Concelho do Porto e a rendição dos revoltosos perante o cerco das unidades militares fiéis à monarquia. Um fracasso comprometedor para o PRP. Apesar de tudo, durante três horas o Porto viveu em República. Tanto foi o tempo que medeou entre a declaração do novo regime, o hastear da bandeira verde-rubra, o entoar d' A Portuguesa, e a constatação de que, afinal, não havia um país para governar... ainda.

Gravuras: Proclamação da República no Porto; Bombardeamento dos Paços do Concelho.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

João Caboto (ou John Cabot, ou Zuan Chabotto)






Este navegador de origem italiana foi contemporâneo de Vasco da Gama e de Cristóvão Colombo. O seu nome verdadeiro era Zuan Chabotto e terá nascido em Génova por volta de 1450. Em 1461 a sua família fixou-se em Veneza. Na década de 80 do século XV, João Caboto dedicou-se às viagens de comércio no Mediterrâneo Oriental - o tráfico de especiarias entre venezianos e turcos otomanos, que estes traziam através da Rota do Levante. Em 1489, porém, Caboto abriu falência e fugiu de Veneza.

Em 1492 estava em Valência onde - graças aos seus conhecimentos de arquitectura - dirigia as obras de melhoramento do porto daquela cidade. Em 1494 orientava a construção de pontes em Sevilha, mas foi despedido daquela função e rumou a Lisboa. Aqui tentou obter financiamento para uma viagem através do Atlântico, propondo chegar à China e ao Japão através de uma passagem que acreditava existir a norte do continente americano. Tal como acontecera anos antes com Cristóvão Colombo, D. João II não lhe concedeu qualquer crédito.

João Caboto dirige-se então para Inglaterra. Aqui trava amizade com Giovanni de Carbonaris, o enviado do Papa para a cobrança de impostos eclesiásticos em Inglaterra. Graças à influência de de Carbonaris na corte inglesa, Caboto obtém do rei Henrique VII a autorização necessária para a ambicionada viagem de exploração. Parte de Bristol em 20 de Maio de 1497, na companhia do seu filho Sebastião, num modesto navio equipado à sua custa, o Matthews, rumo ao norte do continente americano.

Após seis semanas no mar, descobre a actual Terra Nova. Aí iça a bandeira inglesa. Depois de explorar cerca de 650 Km de costa, regressa a Inglaterra, onde chega a 6 de Agosto. Em 1498 volta a partir para a Terra Nova com uma expedição de cinco navios. No entanto, uma violenta tempestade separa a frota. É provável que uns se tenham dirigido para norte da Terra Nova e outros rumado ao mar das Caraíbas. Certo é que só um navio regressa, o de Sebastião Caboto. O seu pai é dado como desaparecido - provavelmente morto. Durante séculos foi assim que a história de João Caboto terminou.

Contudo, investigações mais recentes permitem concluir que o navegador ainda regressou a Inglaterra em 1500, morrendo cerca de três meses depois da sua chegada. Quanto a Sebastião Caboto, continuou o projecto do pai, fazendo várias viagens ao norte do continente americano, entre 1502 e 1509, sempre na esperança de descobrir a "tal" passagem pelo noroeste - e sempre financiado pela Inglaterra. Não a encontrou, mas pôde confirmar que a América era mesmo um continente - e não uma ilha, como inicialmente pensara Cristóvão Colombo.

Bibliografia:
DERAIME, Sylvie, e outros - As Grandes Explorações, Lisboa, Fleurus, 2005.
KEYS, David, "John Cabot", in BBC History Magazine, vol. 9, n. 1, January 2008, p. 10.
Imagens: "John Cabot", pormenor de uma pintura de 1906; e mapa actual da Terra Nova.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Futebol com História (II)





Espanha, 1936-1939. Uma sangrenta guerra civil opôs o governo republicano aos rebeldes nacionalistas, liderados pelo general Francisco Franco. Este era apoiado pela Itália Fascista e pela Alemanha Nazi, países que enviaram homens e material de guerra para combater ao lado da Falange espanhola. E também pelo Portugal de Salazar, que enviou um contingente de voluntários - os Viriatos. Do lado republicano, cujo governo era composto por uma coligação de partidos de esquerda, os apoios não eram tão fortes. Excepto por parte da União Soviética, que enviou material de guerra e conselheiros militares. Os países democráticos, como a França ou o Reino Unido, ficaram-se por uma neutralidade formal, embora muitos voluntários anti-fascistas tenham ido combater para Espanha, integrados nas Brigadas Internacionais ou em outras unidades. Entre esses combatentes estrangeiros figuraram, por exemplo, os escritores Ernest Hemingway (americano) e George Orwell (inglês).

A vitória, nesse conflito que serviu de antecâmara da 2ª Guerra Mundial, pertenceu aos nacionalistas. Francisco Franco instaurou uma ditadura que só terminou após a morte do generalíssimo em 1975.

O vídeo que aqui trago foi concebido pelo Club Atlético de Madrid para comemorar o seu centenário (em 2003) e é uma original forma de conjugar uma visita ao passado histórico (mesmo o mais sombrio, como o de uma guerra civil) com a paixão futebolística: o desporto favorito nos anos 30 sobrepondo-se ao ódio ideológico entre republicanos e nacionalistas. O soldado republicano, de lenço vermelho ao pescoço, cumprimenta de punho erguido gritando "Ahupa Athletic!"; o prisioneiro nacionalista faz a saudação fascista, de braço estendido, gritando o mesmo incitamento clubista!...
É raro ver peças de publicidade com tanta inteligência.



Curiosidade extra nº 1: o Athletic Club de Madrid (nome original, fundado em 1903 como filial do Athletic Bilbao) foi designado como Club Atlético de Aviación entre 1941 e 1946, pois o nacionalismo exagerado do regime franquista quis extirpar todos os estrangeirismos da língua castelhana. Assim, até "football" passou a "balonpié" - nome que ainda faz parte, por exemplo, da designação oficial do Bétis de Sevilha. Em Portugal também houve esta moda passageira - "pedibola" em vez de "futebol". Mas o bom senso acabou por se impor.


Curiosidade extra nº 2: Os fãs do futebol sabem que o equipamento tradicional do Atlético Madrid é vermelho e branco, com calção azul. Bom, nem sempre foi assim. Tanto o Athletic Bilbao como o Atlético Madrid compravam os seus equipamentos em Inglaterra e era o Blackburn Rovers que os fornecia. Camisola bipartida azul e branca e calção azul, era esse o equipamento dos dois clubes, semelhante ao do Blackburn. O problema surgiu em 1911, quando o dirigente que comprava os equipamentos para o clube de Bilbau e para a sua filial de Madrid não conseguiu ver a sua encomenda satisfeita a tempo junto do Blackburn. Com a época a começar, havia que encontrar uma alternativa rapidamente. Recorreu ao Southampton F. C., que equipava de camisola listada de vermelho e branco e calção negro. E assim passaram a vestir, até hoje, os dois clubes, com a pequena diferença de que o Atlético Madrid manteve o calção azul do anterior equipamento.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Futebol com História (I)





Trago hoje para a ribalta um clube de futebol desconhecido da maioria das pessoas. Não o faço por causa dos títulos que conquistou ou da eventual fama e glória, que à sua escala também a teve, mas porque o seu percurso está ligado à História recente da Humanidade, em particular ao período entre as duas Guerras Mundiais.

O clube é o Sport Club Hakoah Wien. Fundado em 1909 por dois judeus de Viena, capital do então Império Austro-Húngaro, notabilizou-se pelo facto de só admitir atletas judaicos. Após a Primeira Guerra Mundial e a dissolução do Império, o Hakoah (que em hebraico significa "a força") passou a competir no campeonato austríaco, que venceria em 1924-25. O clube fazia frequentes viagens ao estrangeiro, atraindo aos seus jogos os membros da diáspora judaica espalhada pela Europa e América do Norte (o Estado de Israel só seria fundado em 1948). Foi o primeiro clube europeu a derrotar uma equipa inglesa na Inglaterra, batendo o West Ham, em 1923, por 5-1 (o West Ham, na sua história oficial, refere que utilizou o team de reservas nessa partida).

O clube não vivia só para o futebol, pois também tinha secções de luta livre, esgrima, pólo aquático e natação (com equipa feminina).
Curiosamente, o declínio desportivo do Hakoah está relacionado com as digressões que fez aos Estados Unidos. Vários jogadores abandonaram o clube e fixaram-se nos EUA, onde o nível de vida era superior ao da Europa, continuando aí a prática do futebol. Além disso, nos States não sentiam a discriminação racial que, na Áustria, ia crescendo contra as pessoas de origem judaica. Este anti-semitismo teria o seu apogeu após o Anschluss - a anexação da Áustria pela Alemanha Nazi, em 1938. O clube foi então dissolvido pela Associação Alemã de Futebol, os bens confiscados e o seu registo de competições e títulos anulado.

O Hakoah ressurgiu após a Segunda Guerra Mundial e ainda hoje existe, embora tenha abandonado a prática do futebol em 1949.

Entre os jogadores mais famosos do Hakoah nos anos 20 contava-se um tal Béla Guttmann, húngaro de nascimento, que foi um treinador de muito sucesso em Portugal.

As ilustrações que acompanham este post mostram o emblema do SC Hakoah Wien e a equipa campeã em 1925. O equipamento constava de camisola bipartida de azul e branco e calção branco, sendo o equipamento alternativo completamente negro.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

A origem da Bolsa de Valores


A Bolsa (nome comum para Bolsa de Valores) é o local onde se compram e vendem acções. Uma acção é uma unidade de títulos emitidos por uma empresa, representando uma fracção do seu capital social. Quem adquire acções de uma empresa torna-se investidor e sócio dessa mesma empresa.

Em qualquer momento as acções podem ser convertidas em dinheiro, consoante o seu valor. O valor pode aumentar ou diminuir, dependendo da saúde económica e financeira da empresa, das suas perspectivas de negócio e até de factores que nada têm a ver directamente com a empresa - por exemplo: alterações climáticas, instabilidade política, guerras.

Há quem faça remontar a origem da Bolsa de Valores, numa forma mais simples, ao período do Império Romano. Aí, as transacções tinham lugar na cidade de Roma, mais precisamente no Forum, perto do templo de Castor. Ao ar livre, como qualquer mercado que se prezasse.

O "comércio com papéis" só se vulgarizou a partir do século XIII, numa das regiões mais prósperas da Europa: o Condado da Flandres, cujo território abrangia uma parte da França, Bélgica e Holanda actuais. Aí, na cidade de Brugges, as transacções efectuavam-se na casa de um homem chamado Van der Beurse. Com o decorrer dos tempos, o nome "Beurse" vulgarizou-se por toda a Europa - e é fácil perceber de onde deriva a palavra portuguesa "Bolsa", já utilizada no reinado de D. Dinis.

As primeiras companhias por acções formalmente constituídas só surgiram no século XVII, na Holanda. A Bolsa de Amsterdão foi muito próspera até aos finais desse século, quando Londres lhe arrebatou a fama e o proveito. Curiosamente, apesar do intenso movimento de negócios se concentrar na zona conhecida simplesmente por City, os londrinos não tinham nenhum edifício especificamente dedicado a albergar a Bolsa. Os negócios faziam-se nos cafés da City, por vezes no meio de insultos e grandes zaragatas entre investidores rivais. Só a partir de 1698 o mercado de valores se estabeleceu definitivamente num único café - o Jonathan's Coffey-House. Mais tarde, transferiu-se para um clube privado, com o nome que ainda perdura: o Stock Exchange.

Apesar da enorme importância para a economia global, as transacções efectuadas nas Bolsas de Valores de todo o mundo estão sujeitas aos riscos decorrentes do imprevisto, daquilo que o ser humano não controla, mas também da ganância e falta de escrúpulos de algumas pessoas. Foi assim em 1929, no Crash da Bolsa de Nova Iorque, e em casos mais recentes, como o do Banco Northern Rock (2007). Como disse Isaac Newton no século XVIII, após ter perdido 20.000 libras na Bolsa de Londres: "Eu consigo calcular o movimento das estrelas, mas não a loucura dos Homens".
Imagem: "Bolsa de Amsterdão", 1653.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Ainda o calendário dos Romanos


Em Setembro foi feita uma breve referência ao calendário romano. Retomemos a visita a esse tempo, em que o tempo se media de maneira diferente.
Quando Janeiro e Fevereiro foram acrescentados ao calendário, o ano passou a ter 355 dias (sim, 3-5-5, não é engano). Os meses tinham 29 ou 31 dias - mas Fevereiro só tinha direito a 28. A designação dos meses era a seguinte:


Januarius (29 dias)
Februarius (28)
Marcius (31)
Aprilis (29)
Maius (31)
Junius (29)
Quintilis (31)
Sextilis (29)
September (29)
October (31)
November (29)
December (29)


Para que o ano civil coincidisse com o ano solar, havia um período intercalar (o Intercalis) de 22 ou 23 dias, que era introduzido a partir de 23 ou 24 de Fevereiro.

Confusos? Lá dizia o Obélix: "estes Romanos são loucos!"


Após o assassinato de Júlio César, o Senado mudou o nome de Quintilis para Julius - o nosso Julho, em honra do defunto. Mas por essa altura o calendário já tinha sido modificado pelo próprio Júlio César, para que ficasse a coincidir com as estações do ano sem necessidade de um Intercalis: foi a origem do famoso calendário juliano, que o Professor Carlos Fiolhais refere no seu interessante artigo (vejam o post abaixo deste). Alguns meses ganharam dias (adivinhem quais os meses... se não conseguirem, observem um calendário actual e ficarão esclarecidos) e o total de dias por ano passou a ser de 365. De quatro em quatro anos, o mês de Fevereiro ganhava um dia, para acertar as quase seis horas que existem para além dos 365 dias num ano "normal". Deste modo, foi o velho Júlio que inventou o ano bissexto. Bem, na verdade foram alguns sábios e astrónomos do seu tempo, mas quem mandava era ele, e assim ficou com a fama toda. Júlio César, como ditador (não esquecer que ele nunca se assumiu como Imperador), era também o Sumo Pontífice (Pontifex Maximus), o chefe supremo do culto religioso, por isso tinha autoridade para mudar o calendário.


Os Romanos não tinham qualquer designação especial para os dias da semana, mas a cada oito dias havia um dia um dia de mercado, o nunidinum. Esta palavra significa "nono dia", porque a forma de contar dos Romanos era inclusiva (o que nos traz à lembrança, de novo, o desabafo do Obélix). No início de cada ano, os augures (sacerdotes adivinhos) determinavam quais os dias que iriam ser favoráveis (Fasti), azarentos (Nefasti) ou "assim-assim" (Endotercisus). Claro que todos os assuntos pessoais ou sociais importantes não podiam ocorrer num dia azarento!


Ao longo do ano, os Romanos tinham muitos dias festivos, a que chamavam "Feriae" - um nome que nos é familiar...


O mês principiava nas Kalendas, e é desta palavra que vem o nome Calendário. O Nones, ou nono, calhava nove dias antes do Ides (em português, "idos"). O Ides calhava no 15º dia de um mês com 31 dias, ou no 13º dia de um mês mais curto. Deste modo, o Nones podia calhar no 5º ou no 7º dia de um mês. As datas eram designadas pelo número de dias que antecediam as Kalendas, Nones ou Ides.


O dia dividia-se em 12 horas de dia e 12 horas de noite. Dependendo da estação do ano, uma hora podia variar entre 44 e 76 minutos. As horas designavam-se sequencialmente: prima, secunda, tertia, quarta, quinta, sexta, septima, octava, nona, decima, undecima, duodecima. A hora septima começava sempre ao meio-dia ou à meia-noite.


Agradecimentos: Richard Jeffrey-Cook.

Foto JorgeF: Legionários Romanos (reconstituição do grupo Ermine Street Guard, Inglaterra, 2007).


sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Um Buraco no Tempo


Muito interessante, este artigo do Professor Carlos Fiolhais.

Trata da mudança do calendário juliano para o gregoriano (o que nós utilizamos actualmente) e dos dias que entretanto se perderam, criando um buraco no tempo.

Para desvendar o mistério, sigam o link abaixo indicado:

Foto JorgeF

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

860 anos da tomada de Lisboa aos Mouros


Passam hoje 860 anos sobre a conquista de Lisboa aos Mouros, encetada por D. Afonso Henriques com o auxílio de cruzados estrangeiros.
Imagem: "Tomada de Lisboa aos Mouros", aguarela de Roque Gameiro.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

1143 - Tratado de Zamora


5 de Outubro de 1143. Tradicionalmente considerado como o dia em que Portugal se tormou independente, por causa da assinatura do Tratado de Zamora entre D. Afonso Henriques e o seu primo, D. Afonso VII de Leão e Castela. É uma simplificação anacrónica, pois embora D. Afonso VII tenha reconhecido o direito de D. Afonso Henriques a intitular-se Portucalensis Rex, ou seja, Rei de Portugal, a verdade é que D. Afonso Henriques deveria continuar a considerar-se vassalo do primo. O reconhecimento efectivo da independência de Portugal só viria mais tarde, em 1179, por documento papal, a Bula Manifestus Probatum.

1910 - Implantação da República


Avenida Almirante Reis... quem passa por essa grande artéria de Lisboa talvez não conheça ou não se lembre da pessoa que lhe dá o nome. Carlos Cândido dos Reis foi oficial da marinha. Reformou-se em 1909 com a patente de Vice-Almirante. Republicano convicto, pertencente à Carbonária (associação secreta revolucionária que levou a cabo o regicídio em 1908) e à Maçonaria, esteve envolvido em vários movimentos contra a monarquia. Foi um dos principais planeadores da Revolução de 5 de Outubro de 1910. Não chegaria a viver esse dia, pois na noite de 4 de Outubro alguém o informou (mal) de que a conspiração estava condenada a falhar e que os militares implicados estavam prestes a ser presos pelas forças leais à monarquia. Convencido do desastre iminente, Cândido dos Reis suicidou-se. Mas o seu nome ficou na história e substituiu na toponímia da cidade o da Rainha Dona Amélia, que era assim que se chamava a avenida hoje conhecida simplesmente por Almirante Reis.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Sputnik, 50 anos


Foi a entrada na era espacial. No dia 4 de Outubro de 1957, uma bolinha metálica com antenas era lançada para o espaço, transportada por um foguetão, a partir da ilha de Gorgon, no Cazaquistão, que então fazia parte da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Era o primeiro satélite artificial da Terra. Desde então, a exploração do Espaço não mais parou. Poderia estar ainda mais avançada se o bicho Homem, aqui na Terra, não tivesse permanecido tão primitivo no relacionamento entre os da mesma espécie, ao longo deste meio século. E tão pouco fiel à ideia que o nome sputnik transmite, pois significa "amigo", em russo.

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Setembro


O nome Setembro deriva do latim September. Apesar da sua designação remeter para o numeral sete, é o nono mês do calendário. O motivo desta aparente disparidade deve-se ao facto do Ano Novo dos Romanos começar no dia 15 de Março. Setembro era então, logicamente, o sétimo mês de um calendário inspirado no dos Gregos. Por volta do século VIII a. C. - o século em que, segundo a tradição, terá sido fundada a cidade de Roma - foram adicionados os meses de Janeiro (Januarius) e Fevereiro (Februarius). Em 153 a. C., por decisão dos dois cônsules eleitos para esse ano, Fulvius Nobilior e Annius Luscus, o começo do ano passou para o dia 1 de Janeiro. Este mês e o de Fevereiro foram promovidos para o princípio do calendário, relegando Setembro para nono mês do ano.
Imagem: Setembro, iluminura de As Riquíssimas Horas do Duque de Berry, França, séc. XV