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sexta-feira, 17 de abril de 2009

Monumentos portugueses (2) - Muralhas e castelo de Trancoso

O castelo de Trancoso fica situado na Beira Alta, não longe da nascente do rio Távora. As suas origens remontam ao período da Reconquista Cristã, havendo já no início do século X referência a um castelo em Trancoso.
Por ocasião da formação do Condado Portucalense, a povoação de Trancoso e o seu castelo fizeram parte do dote de D. Teresa, filha de Afonso VI de Leão e Castela e esposa do Conde D. Henrique. O filho de ambos, D. Afonso Henriques, por aquelas paragens batalhou contra os muçulmanos entre 1140 e 1155. Nesta data, o primeiro rei de Portugal atribuiu foral à povoação. Em 1173, o castelo e todos os domínios de Trancoso foram doados aos Templários.
O castelo tem traços do estilo românico e gótico. Compreende cinco torres quadrangulares. A torre de menagem, de planta quadrada, tem uma curiosa configuração piramidal. A cintura muralhada que abraça a povoação é rasgada por cinco portas e dois postigos. Para uma descrição mais pormenorizada sobre o castelo e muralhas de Trancoso, veja-se esta página.

Torre e panos de muralha do castelo


Portas d'El-Rei


Portas do Carvalho


Às Portas do Carvalho, também conhecidas por Portas do Cavalo, encontra-se ligada a lenda de João Tição da Fonseca.

O INTRÉPIDO JOÃO TIÇÃO DA FONSECA
«Sem conhecermos mais gordo João Tição da Fonseca, tão só pelo retrato sumamente adulterado da lenda, não nos parece curial deixar passar em falso o seu presumível feito, nem tampouco, a sua descrição física que, quiçá fantasiosa, pecará por defeito, que não por excesso.
0 Tição devia ser um jovem e valente guerreiro, hercúleo, de ombros largos e peito em arco, daqueles homens talhados em granito que dariam dois se fossem partidos ao meio.
Em dia melancólico, olhando os longos desertos e a presença incomodativa dos mouros que faziam demorado cerco à praça de Trancoso, o guerreiro magicou sobre o meio de sair montado no corcel e correr de jau para jales em desafio à moirama excomungada.
Enquanto a maioria dos do castelo se baldeava no sono, numa sinfonia de roncos, assobios e arfares de duvidosa partitura, João Tição resolvera matar o tédio dos dias de clausura forçada. Causava-lhe certo engulho ver enferrujar na bainha os gumes da sua espada.
Saiu do castelo pela calada da noite, apenas pressentido por lobos e avejões, catrapus catrapós sobre o cavalo, direitinho ao arraial dos agarenos que, a uma légua do castelo, ferravam o galho em sonhos de princesas em trajes sumários e haréns recheados.
Com uma certa temeridade e outra tanta dose de loucura, conseguiu ludibriar as sentinelas e, penetrando no acampamento, apoderou-se da bandeira do crescente que espanejava sobre uma tenda. Refreando os ímpetos de espezinhar ali mesmo o guião, montou no cavalo e partiu em desfilada de regresso ao castelo, levando desfraldada ao vento a sua vitória.
Porém, um homem excluído da beatitude de sonho embalador, deu conta da marosca e alertou os dorminhocos, mau grado ter preparado os ouvidos para ouvir impropérios onde não era mencionado o nome de Alá. Feridos na soberbia, os mouros zarparam em perseguição do atrevido. Montados em fogosos e descansados puros-sangue de raça árabe, depressa diminuíram a distância que os separava do fugitivo. Este, presumindo as portas a Nascente abertas, para aí fez colear o cavalo. Porém, as sentinelas, vendo aquele vulto com bandeira moura estadeada, não abriram uma nesga.
Logo que ciente da situação, o cavaleiro deu uma palmada na garupa do cavalo e gritou:
- Salta, cavalo! Morra homem, fique a fama!
Morreu o homem e ficou a fama. Rebentou o cavalo e, ali mesmo, foi trucidado pelos inimigos. A bandeira fora arremessada pelo herói para dentro das muralhas. Com grande espalhafato de armas e celeuma de vozes, os mouros foram impotentes para recuperarem o galardão. Apenas levaram para a sua terra a lição de coragem que lhes servira o João Tição da Fonseca.»
(in Santos Costa, Almanaque Anuário de Trancoso)

Todas as fotos incluídas neste artigo são da autoria de JorgeF.

domingo, 12 de abril de 2009

Monumentos portugueses (1) - A torre-atalaia de Ródão e a capela de Nossa Senhora do Castelo



Inicio esta série com a apresentação de uma edificação militar de Vila Velha de Ródão, mais conhecida por "Castelo de Ródão". O "castelo" não é mais do que uma torre-atalaia, construída pelos cavaleiros Templários no período da Reconquista Cristã (século XII), no local onde existiu originalmente uma atalaia muçulmana datada do séc. VIII. Diz a tradição que ali existiu, ainda antes dos mouros terem erguido a primitiva atalaia, uma fortificação do período do rei visigodo Wamba (672-680). Atendendo ao local estratégico, deverá haver aí um fundo de verdade, ainda que a atribuição precisa a Wamba careça de fundamento sólido.




Perto da torre-atalaia fica a capela de Nossa Senhora do Castelo, construída pelos Templários ao mesmo tempo que a torre.

Fotos de JorgeF.